Governança como motor de inovação nas empresas

Inovar deixou de ser um diferencial e passou a ser uma exigência. No atual cenário de rupturas tecnológicas, mudanças sociais e transformações aceleradas, a sobrevivência das empresas depende da capacidade de se reinventar. Mas como inovar com segurança, sem comprometer valores e resultados? A resposta está na governança.

Este artigo convida à reflexão sobre como a governança pode ser uma aliada estratégica da inovação, como um instrumento de direção, equilíbrio e construção de futuro. Inspirado no capítulo “Disrupção, Governança e Corporate Venture”, do livro Governança Corporativa e Inovação (IBGC, 2018), de Maximiliano Carlomagno, e atualizado com dados da ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software), o texto propõe caminhos reais para que empresas familiares e conselhos de administração enfrentem o novo com método e propósito.

Por que inovar? Diversos exemplos emblemáticos mostram que ignorar a inovação pode levar até as empresas mais consolidadas à falência. Casos como Kodak, Nokia, Xerox, Blockbuster, Yahoo, Blackberry e Polaroid evidenciam que a resistência à transformação digital, o apego a modelos ultrapassados e a incapacidade de antecipar tendências foram fatais para organizações que um dia lideraram seus setores. Essas histórias reforçam que inovar não é apenas sobreviver, é permanecer relevante.

Segundo o estudo da ABES de 2024, 94% das empresas brasileiras reconhecem a importância da inovação tecnológica como parte da estratégia de crescimento. No entanto, apenas 37,7% possuem áreas estruturadas para promover a inovação internamente. O principal desafio apontado é a resistência cultural, que consiste no medo de errar e no foco excessivo em controle.

Isso revela o paradoxo enfrentado por muitas lideranças: sabem que precisam mudar, mas estão presas à lógica de preservação. Como destaca Carlomagno, “a boa governança deveria equilibrar a criação e a preservação de valor”. Inovar não significa se expor cegamente ao risco, porém, criar um ambiente onde o risco seja conhecido, discutido e, quando necessário, assumido com responsabilidade.

O papel do conselho de administração é atuar além do retrovisor. Assim, ele deve assumir um papel ativo na agenda de inovação ao estimular a cultura de aprendizado, desafiar modelos de negócio ultrapassados, identificar tendências e apoiar decisões estratégicas orientadas ao futuro. Deste modo, a governança pode ser uma guardiã condutora do futuro do legado empresarial.

Carlomagno propõe um roteiro eficaz para os conselhos, que consiste em 1) Definir a estratégia de inovação: Onde inovar e por quê? 2) Estabelecer o apetite ao risco: Quais limites são aceitáveis? 3) Avaliar capacidades internas: Quais recursos e competências precisam ser desenvolvidos? Conectar-se ao ecossistema: Como ampliar parcerias com startups, universidades e fundos? 4) Mensurar e aprender: Como acompanhar a inovação com indicadores e flexibilidade?

O estudo da ABES alerta que a cultura organizacional ainda é a maior barreira à inovação no Brasil, o que compreende processos engessados, foco exclusivo em compliance e medo de errar. É papel da governança cultivar um ambiente seguro para que novas ideias floresçam e para que o erro, quando bem-intencionado, seja tratado como etapa do aprendizado.

A estratégia de corporate venture, que consiste em investir em startups e projetos inovadores, tem crescido nas empresas brasileiras, permitindo a inovação com agilidade, fora do core business, sem comprometer a operação principal. Mais de 50% das startups que se tornaram unicórnios no mundo receberam investimento de grandes empresas. O corporate venture se apresenta como ponte entre o presente sólido e o futuro em construção.

Para essa jornada, algumas perguntas ainda precisam ser feitas, entre elas, se estamos prontos para assumir riscos estratégicos e se eles estão bem calculados; se a nossa governança trata inovação como oportunidade ou ameaça; há realmente espaço para estruturas mais ágeis dentro da lógica tradicional? E por fim, se estamos formando sucessores com visão voltada ao futuro e à inovação.

O professor e escritor Peter Drucker dizia que “A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo”. Portanto, inovar com governança é uma responsabilidade que busca garantir a relevância e sustentabilidade das organizações. Para empresas familiares, é também uma forma de proteger o legado, preparando o negócio para durar por gerações. Deixo o convite para vivermos juntos essa jornada!

Cristhiane Brandão, Conselheira de Administração, Consultora em Governança para Empresas Familiares e Vice-Coordenadora Geral do Núcleo Centro-Oeste do IBGC.

Minha experiência no Web Summit Rio

Hoje faz uma semana que estive no maior evento de tecnologia e inovação do mundo, o Web Summit edição RJ.

Surreal… eu e mais de 21.000 participantes incluindo investidores experientes, formuladores de políticas estaduais, líderes sociais, influenciadores, fundadores e CEOs de empresas de tecnologia de rápido crescimento e startups emergentes – com uma pergunta “simples”: para onde ir?

Uma Co construção que o evento propunha de fazer junto de todos os envolvidos…

E chegando lá, bem na entrada do RioCentro, já tinha um quadro nos perguntando “O que você espera do futuro?”… eu não tinha ideia do que iria encontrar… vou te contar…

O evento começou no dia 01/05, feriado nacional e no Rio de Janeiro. E nossa pergunta é: “isso vai prestar?!”. O público foi, acreditou… na proposta do evento.

Eu estava junto de 5 amigas conselheiras buscando essa conexão com a inovação e a tecnologia, inclusive elas me impulsionaram a ir (obrigada!!!). O evento é muito democrático, e todos podem participar… não somente o pessoal do TI!!!

Também me surpreendi muito com a presença feminina, segundo a organização do evento 37% dos palestrantes e 40% do público participante. Mulheres palestrando, participando, mentorando, empreendendo, sororizando, investindo, apoiando… Confesso que isso me deixou mais à vontade e menos ansiosa! Aliás eu estava com um grupo de mulheres chamado Women in Tech, e o BB fez um espaço muito especial para receber as mulheres. Me apropriei tanto desse lugar, que já chamava de meu!!! Foi o ponto de encontro todos os dias praticamente.

O evento contava com cerca de 400 ações entre palestras, mesas redondas, talks, fora o que acontecia nos stands e nas famosas reuniões depois do evento!

Só posso contar do que pude assistir, experimentar e sentir… no futuro que espero tem…

…Respeito a história, com a tecnologia unida a ancestralidade, fala da nossa representante dos povos indígenas Txai Suruí, que contou que seu pai fez uma parceria com a Google há 12 anos atrás, para que fossem lembrados e preservados…

…Respeito as gerações, estamos no mesmo tempo, querendo as mesmas coisas, precisamos combinar, conversar, fazer acordos, incluir, tolerar… adorei a masterclass

…Boa parte do que se faz nos negócios são transações… e a IA (inteligência artificial) pode ajudar todas as transações… abrace bons criadores e discuta regulação…

…”Temos que humanizar a tecnologia” disse Daniel Knopfholz, Chief Technology Officer do Grupo Boticário, e é o lema que tem levado a companhia a mudar a mentalidade acerca de inovação e investir mais em soluções com base tecnológica nos últimos anos.

…Propósito… muito e além do negócio, se estendendo a comunidades, batalhando por causas, unindo diferenças, e devolvendo o que se recebe… isso vira generosidade… e aqui adorei conhecer facetas de Ayo Tometi (a co-fundadora do Black Lives Matter); Conrado KondZilla (Cineasta e Fundador Canal KondZilla); Bianca Andrade (Influenciador e YouTuber); Sarah Al-Hussaini (Co-fundador e COOFinal) e Bruno Gagliasso (ator, empresário e embaixador de sustentabilidade).

… o que faz grandes fundadores? Inclusive de startups? Conexões e agregar valor para as pessoas…

… e sobre centralidade do cliente gostei muito de ouvir o Milton Maluhy Filho, CEOItaú Unibanco, que contou como a IA está ajudando o banco “feito para você” a ser “feito com você”. O cliente muda a expectativa todos os dias… o jeito de ser… e a IA pode antecipar as principais tendências e ações. Ele me flechou quando disse que “a transformação é indelegável”, começa no Conselho, CEO e vai descendo…

…e sobre experiência do cliente, embarquei nas propostas de alguns stands: quase pousei um avião no Embraer X; me vi na África trabalhando numa estação de energia solar numa simulação num stand sobre o futuro das profissões; e fui ao coquetel da Sororitê onde pude me conectar com mulheres investidoras e mulheres que estão empreendendo, e cada história me iluminou e deu esperança sobre o futuro!

…e é claro no meu futuro tem muitas oportunidades em outros lugares… visitei os stands de São Paulo, Hong Kong, Finlândia, Áustria, Suécia e Ucrânia. Especialmente na Ucrânia conversei com uma jovem empreendedora de uma startup, e após ela me apresentar o negócio, olhei em seus olhos e perguntei… e como vai você? Sua empresa, diante da guerra? E ela falou…

…conversei com muitas startups e fiquei impressionada… vem muita solução na área de saúde, na área de educação, na área de recrutamento e seleção…

O desconforto inicial do primeiro dia havia sumido por completo, estava entregue ao evento, as conversas, aos contatos e aos momentos inusitados…

E refletindo cá com os meus botões o que veio foi justamente como eu lido com a inovação… resisto, reclamo, aceito, mergulho, já me adapto… e percebo oportunidades…

Oportunidades como a Ambev (que lançou vários produtos no período do evento) e já tem cerca de 20% da receita anual oriunda de produtos e serviços novos lançados em até dois anos.

Confesso que ainda não consegui responder à pergunta “para onde ir” … Já consigo dizer como ir: com propósito, com afeto, com diversão, com conhecimento, com IA, com muitas mulheres (homens também claro!).

Cristhiane BrandãoConselheira de Administração, Consultora em Governança para Empresas Familiares e Coordenadora do Capítulo Brasília/Centro Oeste do IBGC.